Jovens falam da experiência missionária no Rio de Janeiro

Terminou neste sábado à noite a experiência missionária que levou, durante dois dias, os 600 jovens franciscanos para as oito Paróquias da Província da Imaculada Conceição e uma Paróquia diocesana. Foram dias intensos, onde os jovens puderam conhecer outra realidade daquela onde vivem. Aprenderam o real significado de palavras como fraternidade, partilha, respeito e diálogo. Viveram cinco dias de emoções e reflexões.

Antes de saírem da Catedral, Frei Diego Melo, coordenador das Missões, já alertava que o desafio nesses dias seria bem maior. Uma coisa era transitar no  grupo de 600 jovens e outra era fazer parte de um grupo pequeno, onde o protagonismo seria dos jovens. Mas pelos depoimentos abaixo, eles se lançaram com o coração e fé nesta experiência para marcar suas vidas. Veja também como foi o dia a dia na Linha do tempo deste site.

Neste domingo, 21 de julho, todos voltam a se encontrar na praia São Conrado para a Missa de Ação de Graças. Depois saem em passeata até a Rocinha, pedindo paz, respeito e diálogo para este país.

DANIELY NIERO – PASCOM – VILA VELHA – ES

Tenho 35 anos e sou fotógrafa voluntária da Pascom na minha Paróquia.

Esta é minha primeira missão. Conheci Frei Vítor na Festa da Penha e por isso estou aqui. Moro no bairro da Glória e minha Paróquia não é franciscana. Eu fiquei dos 15 aos 30 anos afastada da Igreja. Voltei a frequentar aos poucos e foram surgindo oportunidades de servir. Hoje, eu canto, fotógrafo e cuido das redes sociais da Paróquia Nossa Senhora da Glória.

A MFJ foi a experiência mais extraordinária que já vivi na vida! Pude conhecer uma parte do Rio de Janeiro bem diferente daquela que vemos nas novelas. A vida real é mais bonita, cheia de alegria e solidariedade, apesar de tantos problemas e dificuldades. São pessoas que não têm muito, mas ajudam aos demais. Ao adentrar à casa delas para levar a palavra de Deus e o alento às pessoas doentes, saímos tomados pelo Espírito Santo e de todo o amor que poderíamos receber. Ao chegar na casa da minha família na missão, fui tão bem recebida que me senti na minha própria casa. O amor deles nada difere ao dos meus pais. Ao povo de Imbariê e região, a todos os paroquianos da Paróquia Santa Clara, deixo aqui o meu muito obrigada e a minha eterna gratidão por todos esses dias de aprendizado e do maior amor que senti. Que Deus os abençoe!.

TÚLIO JOSÉ DA SILVA TAVARES – PASTORAL DA DIVERSIDADE – RIO DE JANEIRO

Ao encontrar a espiritualidade – amor, justiça, paz – da vida habitada em mim, procuro sempre a espiritualidade materializada e comunitária que ecoe na religiosidade – catolicismo – promovendo a troca, o diálogo, o crescimento e a vivência da diversidade – pluralidade.

Ter acesso à informação e vivência da espiritualidade franciscana me comoveu pelo interesse já existente e durante a missão a não separação das relações subjetivas das objetivas, isto é, a causa social e interior. Senti falta em alguns momentos – não todos – do que chamarei de “vivência mística”, ou seja, a não separação do mundo de Deus do mundo em que habitamos, como na música, a partir de cantos que ultrapassam uma crença particular.

A missão, por fim, tornou-me mais humano, sensível e realista diante do mundo e suas feridas. Permitir a nós, missionários, sermos protagonistas e não enfatizar a missão somente no fim dos dias, ou seja, não termos apenas vivências e formação, como também a oportunidade do experimento, é único e inspirador.

Não deixei de ser o Túlio Tavares, do Rio de Janeiro, identificado e sobrevivente da comunidade LGBTQI+, mas passei a ser um novo Túlio com maior fome e sede da luta contra as desigualdades sociais e a busca infinita da liberdade e amor constante do Criador

Fonte: Franciscanos

Julinho Zanatta

Pastoral da Comunicação - PASCOM

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