Hóspede da alma, presença que acalma

Texto de: Frei Gustavo Medella

“Hóspede da alma” é um dos atributos do Espírito Santo que aparecem no célebre texto da Sequência de Pentecostes. E é sobre hospitalidade que tratam as leituras deste 16º Domingo do Tempo Comum. Na primeira leitura (Gn 18,1-10a), Abraão oferece o que possuía de melhor e dá de comer e beber aos três homens que lhe aparecem na hora mais quente de um dia cansativo. Enxerga neles a presença divina, uma prefiguração do Mistério da Trindade posteriormente revelado na Encarnação do Verbo. Aquele gesto para Abraão foi fonte de fertilidade a ponto de Sara, sua esposa já de idade avançada, ser abençoada com a graça de dar à luz um filho, Isaac. Ao colocar-se integralmente à disposição dos hóspedes que se lhe apresentaram, Abraão abriu a alma para o “Hóspede dos hóspedes”, Aquele que, ao fazer no coração humano sua morada, enche de sentido e bênção a vida de seu anfitrião.

Marta e Maria também possuíam o coração aberto para receber a visita do Senhor (Lc 10, 38-42). Cada uma dispensava-lhe atenção a seu modo, ambos repletos de carinho e reconhecimento. Maria, com sua escuta atenta e interessada, reconhece nas Palavras de Jesus a antecipação da glória definitiva na direção da qual o crente caminha pela fé: o convívio eterno, próximo e amoroso com Deus, num reino definitivo onde as contradições serão todas superadas. Marta, dedicando-se ao cuidado da casa e dos alimentos, esforça-se em oferecer ao Senhor um ambiente acolhedor, uma refeição restauradora necessária a uma saudável humanidade. Age, sem dúvida, impulsionada pelo amor gratuito que lhe inspira o “Hóspede da Alma”. A solicitude de ambas se completa.

E, por que, então, aparece o impasse entre as irmãs? O possível início de uma discussão entre ambas, que não ocorre por conta da intervenção de Jesus, tem grande valor pedagógico e mostra que, até mesmo nos ambientes em que no coração das pessoas existe a disposição sincera para acolher, ouvir e praticar os ensinamentos do Senhor, as limitações humanas também se fazem notar. Para superá-las, portanto, faz-se necessário um permanente espírito de discernimento e oração para que todos os conflitos e desentendimentos sejam resolvidos à luz da inspiração de Deus. No caso de Marta e de Maria e também no dia a dia das comunidades, a presença de Jesus atualiza o verso da Sequência de Pentecostes com o qual teve início esta reflexão: “Hóspede da alma, presença que acalma”.

Julinho Zanatta

Pastoral da Comunicação - PASCOM

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